Todo excesso esconde uma falta? O que está por trás dos vícios e como quebrar esse ciclo

Existe uma frase que provoca uma pergunta importante: “Todo excesso esconde uma falta?”

Pense em algumas situações.

Uma pessoa promete que vai beber somente uma dose e termina a noite bebendo muito mais.

Outra pega o celular apenas para responder uma mensagem e percebe, muito tempo depois, que continua passando de vídeo em vídeo.

Alguém compra quando está angustiado, recebe a encomenda, sente uma satisfação passageira e poucos dias depois volta a comprar.

Outra pessoa come sem estar fisicamente com fome e depois se pergunta por que fez aquilo novamente.

Também existe quem continue apostando para recuperar aquilo que perdeu, mesmo quando as apostas já começaram a prejudicar as finanças e os relacionamentos.

À primeira vista, todos esses comportamentos parecem muito diferentes. Em alguns casos realmente são. Nem todo excesso é vício e nem todo comportamento repetitivo representa uma doença.

Existe, porém, uma pergunta que merece ser feita:

O que eu estou procurando quando repito algo que me prejudica, mas ainda assim tenho dificuldade de parar?

A resposta pode nos ajudar a compreender por que alguns comportamentos começam como fonte de prazer, distração ou alívio e, com o tempo, passam a dominar uma parte da vida.

Quando um hábito deixa de ser escolha e começa a dominar

Gostar de alguma coisa não significa estar viciado nela.

Tomar uma bebida não caracteriza automaticamente dependência de álcool. Comprar alguma coisa por impulso uma vez não significa ter compulsão por compras. Passar algumas horas no celular também não permite diagnosticar dependência.

O sinal preocupante aparece quando começamos a perder liberdade.

A pessoa tenta diminuir e não consegue. Continua mesmo percebendo prejuízos. Esconde o comportamento. Organiza cada vez mais a rotina ao redor dele. Sente uma necessidade intensa de repetir. Em determinados tipos de dependência, pode ainda desenvolver tolerância ou sintomas de abstinência.

A ciência atual trata a dependência de substâncias como uma condição de saúde que envolve alterações no cérebro e no comportamento. A Organização Mundial da Saúde também reconhece transtornos relacionados a comportamentos, como o transtorno do jogo e o transtorno por jogos digitais. Portanto, reduzir todos esses problemas a “falta de força de vontade” é uma explicação insuficiente. Saiba mais no National Institute on Drug Abuse.

Ao mesmo tempo, precisamos evitar o extremo oposto.

Nem todo comportamento excessivo deve receber imediatamente o nome de vício. Diagnóstico precisa considerar perda de controle, prejuízos, sofrimento, frequência, contexto e outros fatores que somente uma avaliação adequada consegue esclarecer.

O que o cérebro aprende quando repetimos um comportamento

Nosso cérebro aprende com recompensas.

Quando determinado comportamento produz prazer ou reduz uma sensação desagradável, aumenta a possibilidade de querermos repeti-lo.

A dopamina participa desse processo, mas é inadequado tratá-la simplesmente como um “hormônio da felicidade”. Ela está envolvida também na aprendizagem, na motivação e na associação entre determinadas pistas e uma recompensa esperada.

Por exemplo, a pessoa pode começar a associar determinado horário, lugar, emoção ou situação ao comportamento.

O fim de um dia estressante pode ser associado à bebida. Uma discussão pode ser seguida por comida. Uma sensação de solidão pode levar ao celular. Uma frustração pode terminar em compras. Uma perda numa aposta pode produzir imediatamente a vontade de apostar de novo.

Com a repetição, o próprio gatilho pode começar a despertar um desejo intenso antes mesmo de a recompensa aparecer. Esse mecanismo ajuda a explicar por que lugares, emoções, pessoas e situações relacionadas ao comportamento podem provocar vontade de repeti-lo. Veja uma revisão sobre neurobiologia da dependência.

Gatilhos e hábitos que podem reforçar comportamentos compulsivos

Aqui começamos a compreender por que simplesmente dizer “pare com isso” nem sempre resolve.

A pessoa não está enfrentando apenas uma decisão isolada. Pode existir um ciclo aprendido.

Todo excesso realmente esconde uma falta?

Precisamos tratar essa frase com cuidado.

Ela pode ser uma excelente pergunta para reflexão, mas não é uma fórmula científica capaz de explicar todos os vícios.

Nem toda dependência começou porque existe um vazio emocional oculto. Fatores genéticos, biológicos, psicológicos, sociais, ambientais e comportamentais podem participar da formação de uma dependência.

Mesmo assim, frequentemente encontramos alguma necessidade sendo atendida, ainda que de forma inadequada.

Às vezes, a pessoa não está buscando propriamente a bebida. Está buscando alívio.

Não está buscando apenas comida. Está tentando acalmar uma emoção.

Não quer somente comprar. Durante alguns minutos, deseja sentir entusiasmo, controle, importância ou recompensa.

Não quer necessariamente permanecer horas nas redes sociais. Pode estar tentando fugir do tédio, da ansiedade ou da solidão.

Nesse sentido, a “falta” não precisa ser entendida como uma grande ferida escondida na infância. Pode ser falta de descanso, capacidade para lidar com determinada emoção, vínculo, rotina, limites, tratamento para um problema que já existe ou maneiras mais saudáveis de enfrentar sofrimento, estresse e frustração.

Existe ainda outro ponto importante: depois que uma dependência se estabelece, a pessoa pode continuar repetindo o comportamento mesmo quando aquela necessidade inicial já não explica tudo. O cérebro aprendeu associações, hábitos foram fortalecidos e, em algumas dependências, aparecem alterações físicas e sintomas de abstinência.

Por isso, compreender a origem ajuda, mas compreender a origem não significa automaticamente conseguir parar.

Álcool, nicotina e outras substâncias: quando o alívio cobra um preço

Algumas pessoas começam a beber porque gostam do efeito social da bebida. Outras percebem que o álcool diminui temporariamente tensão, ansiedade ou sofrimento emocional.

Esse alívio pode fortalecer a repetição.

Com o uso excessivo e repetido, porém, o cérebro pode se adaptar. O transtorno por uso de álcool pode envolver perda de controle, desejo intenso, persistência apesar das consequências, tolerância e abstinência.

Existe um cuidado especialmente importante aqui.

Quem bebe de forma pesada e prolongada e desenvolveu dependência não deve presumir que interromper abruptamente o álcool em casa será sempre seguro. A abstinência pode ser grave e, em alguns casos, apresentar risco à vida. A avaliação profissional permite definir uma retirada segura.

A nicotina também pode produzir dependência intensa. O SUS oferece tratamento para pessoas que desejam parar de fumar, incluindo acompanhamento estruturado e, quando indicado, tratamento farmacológico.

Reconhecer uma dependência não significa condenar a pessoa. Significa reconhecer que existe um problema que precisa ser tratado com seriedade.

Compulsão alimentar: quando comer tenta resolver o que a comida não consegue

Nem toda pessoa que come demais possui transtorno de compulsão alimentar.

A compulsão alimentar envolve episódios de consumo de grande quantidade de alimentos acompanhados por sensação de perda de controle. Ansiedade, depressão, dietas muito restritivas e outros fatores podem estar associados ao problema.

Uma pergunta prática pode ajudar na observação do comportamento:

“Eu estou com fome ou estou tentando mudar o que estou sentindo?”

A resposta nem sempre será simples.

Também precisamos tomar cuidado para não transformar comida em inimiga. Restrições muito rígidas podem piorar determinados ciclos alimentares. Quando episódios de perda de controle se repetem, acompanhamento psicológico, nutricional e, quando necessário, médico pode fazer parte do tratamento.

Compras compulsivas: quando a compra termina, mas a necessidade permanece

Comprar pode produzir expectativa e recompensa.

O problema começa quando a pessoa passa a usar repetidamente as compras para regular ansiedade, frustração, vazio ou sentimentos de inadequação e perde controle sobre o comportamento.

A sacola chega. A emoção diminui. A conta permanece. Depois surge uma nova vontade.

A compulsão por compras pode produzir dívidas, conflitos familiares, esconderijos de compras e sentimentos de culpa.

Compras compulsivas e consequências emocionais e financeiras

Por isso, cancelar o cartão pode criar uma barreira útil, mas não necessariamente responde sozinho à pergunta mais profunda:

“O que acontece comigo pouco antes de eu sentir que preciso comprar?”

Apostas: quando a esperança de recuperar a perda alimenta uma nova perda

O transtorno do jogo é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde entre os transtornos relacionados a comportamentos aditivos. Veja a referência da OMS sobre comportamentos aditivos.

Um dos sinais mais perigosos aparece quando a pessoa começa a apostar novamente para recuperar aquilo que perdeu.

A lógica parece convincente: “Só preciso ganhar uma vez para recuperar meu dinheiro.”

A próxima aposta perde. Agora existe ainda mais dinheiro para recuperar. O ciclo se alimenta.

Outros sinais incluem esconder valores, gastar mais do que havia planejado, comprometer despesas da casa, ficar irritado quando não consegue apostar e abandonar atividades importantes.

No Brasil, o SUS oferece acolhimento para problemas relacionados a jogos e apostas por meio da rede de saúde mental e de iniciativas do Ministério da Saúde. Consulte a orientação oficial do Ministério da Saúde sobre apostas e atendimento no SUS.

Quando o problema envolve apostas, tratar somente a dívida sem tratar o comportamento pode deixar o principal mecanismo funcionando.

Celular, redes sociais e jogos: nem todo uso intenso é dependência

A expressão “vício em celular” tornou-se muito comum nas pesquisas e conversas cotidianas.

Clinicamente, porém, uso problemático do smartphone não é automaticamente um diagnóstico de dependência.

A Organização Mundial da Saúde reconhece o transtorno por jogos digitais quando existe perda persistente de controle, prioridade crescente dada aos jogos e continuidade apesar dos prejuízos significativos. Veja a explicação da OMS sobre gaming disorder.

Pesquisas também encontram associação entre uso problemático de redes sociais e dificuldades relacionadas à saúde mental e ao sono. Associação, porém, não significa que todo uso de rede social cause ansiedade ou depressão, nem que todo usuário frequente seja dependente.

Uma pergunta simples ajuda:

“Eu estou usando o celular ou estou sendo conduzido por ele?”

Observe o comportamento. Você consegue terminar uma refeição sem verificar notificações? Consegue conversar sem interromper repetidamente para olhar a tela? Pretende ficar dez minutos e permanece uma hora? Leva o telefone para a cama e sacrifica o sono? Fica inquieto quando não consegue acessar determinadas plataformas?

Essas perguntas não fornecem diagnóstico, mas podem revelar perda de limites.

Como descobrir o que alimenta o seu próprio ciclo

Antes de tentar eliminar um comportamento, precisamos aprender a observá-lo.

Durante alguns dias, registre cinco coisas:

  1. O gatilho: o que aconteceu pouco antes da vontade aparecer?
  2. A emoção: o que eu estava sentindo?
  3. O pensamento: o que eu disse a mim mesmo naquele momento?
  4. O comportamento: o que fiz e por quanto tempo?
  5. A consequência: como me senti imediatamente depois e como me senti algumas horas mais tarde?

Talvez um padrão comece a aparecer.

Você bebe depois de conflitos. Compra quando se sente rejeitado. Come depois de dias de restrição e estresse. Aposta depois de perdas financeiras porque deseja recuperar rapidamente o controle. Pega o celular sempre que precisa enfrentar uma tarefa desagradável.

Identificar o ciclo não significa que você já o venceu. Significa que o comportamento deixou de funcionar completamente escondido.

Identificação de gatilhos como parte do processo de superar compulsões

Como começar a quebrar o ciclo sem depender somente da força de vontade

Força de vontade ajuda, mas construir toda recuperação sobre ela é frágil.

Precisamos trabalhar também com ambiente, gatilhos, acesso, rotina, vínculos e tratamento.

Diminua o acesso ao comportamento que está dominando você

Uma pessoa que deseja parar de apostar não deveria manter aplicativos, notificações e meios fáceis de depósito disponíveis como se nada estivesse acontecendo.

Quem perde horas nas redes sociais pode retirar aplicativos da tela inicial, desativar notificações e estabelecer horários específicos de acesso.

Quem compra compulsivamente pode remover cartões salvos em lojas virtuais e criar um intervalo obrigatório entre desejo e compra.

Barreiras não curam tudo, mas criam tempo entre impulso e ação. E tempo pode devolver espaço para decisão.

Aprenda a permanecer alguns minutos diante da vontade

Nem todo desejo precisa virar comportamento.

Podemos aprender a perceber: “Estou com vontade.” Em seguida: “Não preciso obedecer imediatamente.”

Essa pequena distância é importante.

Trate aquilo que aparece junto com o comportamento

Se toda compulsão aparece depois de crises de ansiedade, precisamos cuidar também da ansiedade.

Se o comportamento aumenta quando surge solidão, precisamos trabalhar vínculos.

Se existe depressão, trauma, TDAH ou outro problema associado, simplesmente remover a fonte de recompensa talvez não seja suficiente.

O cuidado precisa alcançar a pessoa inteira.

Se a ansiedade costuma funcionar como gatilho, leia também Ansiedade não é falta de fé: como cuidar da mente sem se afastar de Deus.

Pare de esconder o problema das pessoas certas

O segredo protege muitos ciclos compulsivos.

Não precisamos contar nossa intimidade para todo mundo. Precisamos, porém, considerar se existe uma pessoa madura, responsável e confiável que possa conhecer a verdade.

Em determinadas situações, essa pessoa será um familiar. Em outras, um pastor ou líder preparado. Em outras, um psicólogo, médico, psiquiatra ou grupo de apoio. Frequentemente será necessária uma combinação dessas redes.

A solidão pode intensificar comportamentos usados como fuga emocional. Se esse ponto fizer parte da sua história, leia também A solidão de quem está cercado de pessoas, mas continua sozinho.

Procure tratamento quando o problema ultrapassou aquilo que você consegue administrar sozinho

Tratamentos para transtornos relacionados ao uso de substâncias podem envolver terapias comportamentais, medicamentos em condições específicas e apoio contínuo à recuperação. Não existe uma única fórmula adequada para todas as pessoas.

No Brasil, UBS e CAPS fazem parte da rede pública de acolhimento em saúde mental. Os CAPS AD são direcionados especialmente às necessidades relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas. Veja como funcionam os CAPS na rede do SUS.

Pedir ajuda não elimina responsabilidade pessoal. Ajuda a pessoa a assumir essa responsabilidade com recursos melhores.

O que a fé cristã pode oferecer nesse processo

Existe uma frase de Paulo que conversa diretamente com nosso assunto.

Em 1 Coríntios 6:12, depois de citar a ideia de que todas as coisas seriam permitidas, Paulo estabelece um limite muito importante: ele não se deixaria dominar por nenhuma delas.

O contexto do capítulo precisa ser respeitado. Paulo está tratando de como os cristãos usam o corpo e confrontando uma ideia de liberdade sem limites. Mesmo assim, existe um princípio muito claro: liberdade não combina com ser governado por aquilo que deveria permanecer debaixo de domínio.

Essa verdade nos leva a uma pergunta espiritual séria:

Existe alguma coisa que começou ocupando um pequeno espaço na minha vida e hoje está tentando me governar?

A fé cristã não nos autoriza a ignorar mecanismos psicológicos ou biológicos.

Também não nos ensina que toda dependência desaparecerá instantaneamente depois de uma oração.

Podemos orar e procurar tratamento. Podemos confessar uma fraqueza e criar barreiras práticas. Podemos pedir a Deus domínio próprio e aceitar acompanhamento profissional. Podemos estudar a Palavra e reconhecer que determinados ambientes precisam ser evitados.

Uma atitude não anula a outra.

Gálatas 5:22-23 inclui o domínio próprio entre o fruto do Espírito. Domínio próprio não significa fingir que nunca sentimos vontade. Significa aprender progressivamente a não entregar nossas decisões a cada desejo que aparece.

Quando é hora de procurar ajuda

Alguns sinais não deveriam ser minimizados.

Quando existe perda repetida de controle, prejuízo financeiro, conflitos familiares, queda no trabalho, abandono de responsabilidades, tentativas frustradas de parar, sintomas de abstinência ou necessidade crescente de aumentar determinada substância ou comportamento, uma avaliação profissional merece ser considerada.

No caso do álcool, sintomas de abstinência depois de uso pesado e prolongado precisam de atenção médica, porque interromper o consumo abruptamente pode ser perigoso.

Quando a compulsão provoca desespero intenso, risco de autoagressão ou risco para outras pessoas, a procura por atendimento de emergência não deve ser adiada.

A orientação pastoral pode acompanhar uma pessoa durante todo o processo. Mas acompanhamento espiritual não substitui tratamento médico ou psicológico quando ele é necessário.

Se houver risco imediato de autolesão, intoxicação, abstinência grave ou perda de controle com perigo para a própria pessoa ou terceiros, procure atendimento de urgência. No Brasil, isso pode incluir UPA ou pronto-socorro, SAMU pelo 192 e, em situações de sofrimento emocional intenso ou pensamentos de suicídio, o CVV pelo 188. Para acompanhamento continuado em saúde mental e problemas relacionados a álcool e outras drogas, procure uma UBS ou CAPS/CAPS AD da sua região.

Este artigo tem caráter educativo e pastoral. Ele não faz diagnóstico e não substitui avaliação médica, psicológica ou psiquiátrica individual.

Liberdade começa quando paramos de alimentar o que nos domina

Talvez o seu problema seja bebida.

Talvez sejam apostas. Comida. Compras. Cigarro. Celular. Redes sociais. Jogos.

Ou algum comportamento que você nem percebeu ainda que começou a ocupar espaço demais.

Não precisamos transformar a frase “todo excesso esconde uma falta” numa regra. Podemos transformá-la numa pergunta.

O que estou procurando nesse comportamento?

Que situação desperta minha vontade?

Que alívio encontro durante alguns minutos?

Qual preço estou pagando depois?

Existe alguma dor que precisa ser tratada?

Existe alguma dependência que já exige acompanhamento?

Existe alguma porta que preciso fechar?

Existe alguém a quem preciso pedir ajuda?

Reconhecer o problema não resolve tudo no mesmo dia. Mas enquanto continuamos chamando prisão de escolha, dificilmente procuraremos liberdade.

Olhe com honestidade para aquilo que está dominando espaço demais em sua vida.

Depois pergunte:

O que eu preciso começar a tratar para não continuar buscando no excesso aquilo que ele nunca conseguirá me entregar?

No Amor de Cristo,
Pastor Adilson Batista

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