Autoestima dos filhos: como fortalecer identidade num mundo de likes

Uma criança publica uma fotografia e começa a olhar o celular várias vezes para ver quantas curtidas recebeu.

Um adolescente grava um vídeo, apaga, grava novamente, muda o ângulo, troca a roupa e tenta mais uma vez. Depois da publicação, observa os comentários. Se a reação é boa, fica animado. Se quase ninguém responde, começa a perguntar se fez alguma coisa errada.

Para quem cresceu antes das redes sociais, esse comportamento pode parecer exagerado. Para muitos jovens, porém, aprovação, comparação, aparência e exposição passaram a ocupar um espaço cotidiano que outras gerações não conheceram da mesma maneira.

Por isso, quando falamos sobre autoestima dos filhos, não podemos ignorar o ambiente digital em que eles estão crescendo.

O desafio dos pais não consiste apenas em controlar quanto tempo uma criança ou adolescente passa diante da tela. Precisamos ajudá-los a responder perguntas bem mais profundas:

“Quem sou eu quando ninguém está me elogiando?”

“Quanto eu valho quando uma publicação recebe pouca atenção?”

“Minha aparência define quem eu sou?”

“Preciso ser admirado para me sentir importante?”

Essas perguntas chegam cedo.

E a resposta não pode ficar nas mãos de uma tela.

Pai conversando com o filho adolescente sobre redes sociais e autoestima.

Autoestima não significa ensinar o filho a pensar que é melhor que os outros

Alguns pais cristãos ficam desconfortáveis quando ouvem a palavra autoestima porque imaginam que fortalecer a autoestima de uma criança significa ensiná-la a se colocar no centro de tudo.

Não precisa ser assim.

Uma visão saudável de si mesmo não é arrogância.

Também não significa convencer nossos filhos de que são perfeitos, especiais em tudo ou superiores às outras pessoas.

Uma criança emocionalmente fortalecida consegue reconhecer qualidades e limitações sem concluir que uma falha diminui seu valor como pessoa.

Ela pode perder uma competição sem se sentir um fracasso.

Pode receber uma nota ruim e entender que precisa melhorar sem acreditar que é incapaz.

Pode perceber que outra pessoa possui determinada habilidade sem concluir que ela própria não tem valor.

Essa base é importante porque o mundo digital trabalha constantemente com comparação.

Quem recebeu mais atenção?

Quem tem mais seguidores?

Quem parece mais bonito?

Quem possui a melhor roupa?

Quem viajou?

Quem aparece sorrindo ao lado dos amigos?

Sem uma identidade minimamente segura, cada comparação pode se transformar numa pequena votação sobre o próprio valor.

O problema começa quando curtidas deixam de ser reação e viram medida de valor

Receber aprovação é agradável.

Adultos gostam de reconhecimento também. Portanto, não precisamos tratar nossos filhos como se desejarem aceitação fosse algum defeito moral.

O perigo aparece quando a aprovação deixa de ser agradável e passa a ser necessária para que a pessoa se sinta bem consigo mesma.

Uma curtida deveria significar apenas que alguém reagiu a uma publicação.

Na prática, para uma criança ou adolescente inseguro, ela pode começar a significar muito mais:

“Gostaram de mim.”

“Sou interessante.”

“Estou bonito.”

“Faço parte do grupo.”

Quando a reação não chega, o sentido pode se inverter.

“Ninguém liga para mim.”

“Sou feio.”

“Não sou interessante.”

“Os outros são melhores.”

Pais precisam ajudar os filhos a separar essas duas coisas.

A reação a um conteúdo não determina o valor da pessoa que o publicou.

Parece simples quando colocamos em palavras. Para alguém que está formando sua identidade, porém, essa diferença precisa ser aprendida e reforçada muitas vezes.

Nossos filhos estão comparando a própria vida com versões selecionadas da vida dos outros

Nas redes sociais, encontramos pessoas em viagens, festas, academias, restaurantes, praias, escolas, shows e momentos felizes.

Não existe necessariamente falsidade nessas imagens.

O problema está em imaginar que elas representam a vida inteira.

Uma adolescente pode olhar para dezenas de meninas bem produzidas durante alguns minutos e depois se observar no espelho dentro de casa.

Um menino pode acompanhar pessoas exibindo corpos, dinheiro, popularidade, habilidades esportivas ou determinado estilo de vida e começar a considerar sua própria realidade pequena demais.

A comparação é desigual.

De um lado temos a vida real, com dias bons e ruins.

Do outro aparecem momentos escolhidos, editados, repetidos e apresentados da melhor maneira possível.

Precisamos ensinar nossos filhos a enxergar essa diferença.

Em vez de simplesmente dizer “não acredite no que você vê na internet”, podemos conversar.

“Você acha que essa pessoa vive assim todos os dias?”

“O que ficou fora dessa fotografia?”

“Por que alguém escolheria publicar justamente esse momento?”

“Uma foto bonita prova que alguém é feliz?”

Esse tipo de conversa desenvolve discernimento.

Proibição sem explicação pode funcionar durante um período.

Discernimento acompanha o filho quando os pais não estão ao lado.

A identidade começa a ser construída muito antes do primeiro perfil numa rede social

Nenhuma criança começa a formar sua identidade quando recebe o primeiro celular.

Esse processo já estava acontecendo dentro de casa.

A maneira como falamos com nossos filhos participa dessa construção.

As palavras que repetimos ganham peso.

“Você nunca faz nada direito.”

“Seu irmão é muito mais responsável.”

“Por que você não consegue ser como sua prima?”

“Você só me dá trabalho.”

Frases ditas num momento de irritação podem permanecer na memória durante muito tempo.

Algumas crianças acabam olhando para si mesmas pelos olhos críticos dos adultos mais importantes da sua vida.

Também existe outro extremo.

Pais podem dizer repetidamente ao filho que ele é o melhor em tudo e impedir que aprenda a lidar com limites, frustrações e erros.

Nenhum desses caminhos ajuda.

Nossos filhos precisam de amor seguro e de realidade.

Podemos dizer:

“Eu amo você, mas essa atitude precisa mudar.”

“Você errou, mas vamos corrigir.”

“Você ainda não conseguiu. Continue aprendendo.”

“Seu irmão tem habilidades diferentes das suas.”

“Não precisamos ser bons em tudo.”

Assim, correção e valor pessoal deixam de ser inimigos.

Elogiar tudo também não fortalece a identidade

Alguns pais, com boa intenção, transformam qualquer ação da criança em uma grande celebração.

Tudo é maravilhoso.

Qualquer desenho é extraordinário.

Qualquer desempenho é perfeito.

Toda tarefa merece um elogio enorme.

A criança percebe rapidamente quando o elogio não corresponde à realidade.

Mais importante ainda, ela pode começar a depender da aprovação externa para cada pequena realização.

Podemos elogiar de maneira mais útil.

Em vez de valorizar apenas resultado e aparência, podemos reconhecer esforço, responsabilidade, bondade, honestidade, perseverança e crescimento.

“Percebi que você tentou novamente mesmo depois de errar.”

“Gostei da maneira como você ajudou seu irmão.”

“Você teve coragem de admitir que errou.”

“Você se preparou bastante para essa prova.”

O filho começa a entender que seu valor não está restrito à aparência ou ao aplauso.

Cuidado quando a aparência vira o centro de todas as conversas

Uma menina não precisa crescer ouvindo que sua principal qualidade é ser bonita.

Um menino também não precisa aprender que seu valor depende de força, aparência ou capacidade de impressionar.

Elogiar a aparência não é errado.

O problema surge quando praticamente toda valorização gira em torno dela.

“Como você está linda.”

“Que rapaz bonito.”

“Essa roupa ficou maravilhosa.”

Essas frases podem conviver com outras:

“Gosto da sua sensibilidade.”

“Você foi muito responsável.”

“Percebi sua generosidade.”

“Você fez uma boa escolha.”

“Admiro sua disposição para aprender.”

Dessa maneira ampliamos a visão que nossos filhos possuem de si mesmos.

O corpo faz parte de quem somos, mas não resume nossa identidade.

A Bíblia coloca nosso valor antes do desempenho

O Salmo 139 apresenta uma compreensão profunda da relação entre Deus e o ser humano.

Davi fala de um Deus que conhece, vê e acompanha cada pessoa de maneira profunda. Ao mencionar sua formação no ventre, o salmista reconhece que sua existência está diante de Deus antes de qualquer realização pessoal.

A passagem não foi escrita sobre autoestima infantil.

Sua mensagem, porém, oferece uma base importante para a maneira cristã de compreender a dignidade humana.

Nosso valor não começa quando alguém nos admira.

Também não começa quando conseguimos uma boa nota, construímos uma carreira, recebemos elogios ou demonstramos talento.

A vida possui valor diante do Criador.

Efésios 2:10 acrescenta outra perspectiva ao dizer que somos feitura de Deus, criados em Cristo Jesus para boas obras.

Perceba a ordem.

Não realizamos boas obras para finalmente merecermos existir.

Somos alcançados pela graça e chamados a viver de uma maneira coerente com aquilo que Deus está fazendo em nós.

Essa mensagem pode libertar nossos filhos de duas prisões.

A primeira é acreditar que precisam provar constantemente que são bons o suficiente.

A segunda é pensar que não precisam crescer porque Deus os ama.

Amor e crescimento podem caminhar juntos.

Ensine seu filho a distinguir identidade de desempenho

Seu filho tirou uma nota baixa.

Ele teve um desempenho ruim numa partida.

Não conseguiu entrar no grupo que desejava.

Foi rejeitado por alguém.

A publicação quase não recebeu resposta.

Alguma coisa deu errado.

Nesses momentos precisamos separar uma experiência ruim de uma identidade negativa.

Existe uma diferença enorme entre dizer:

“Eu fracassei nessa tentativa”

e dizer:

“Eu sou um fracasso”.

Uma fala descreve um acontecimento.

A outra transforma o acontecimento numa definição de identidade.

Ajude seu filho a perceber a diferença.

Ele pode precisar estudar mais sem ser burro.

Pode perder sem ser um perdedor.

Pode ser rejeitado sem ser alguém indigno de amor.

Pode cometer um erro sem ser uma pessoa inútil.

Essa linguagem aparentemente pequena influencia a maneira como ele aprende a interpretar as próprias experiências.

Pais também ensinam pelo modo como usam as redes

Podemos estabelecer vários limites para nossos filhos e contradizer todos eles pelo exemplo.

Uma mãe pede que a filha deixe o celular durante a refeição, mas continua respondendo mensagens.

O pai reclama que o adolescente passa tempo demais nas redes, porém verifica notificações durante toda conversa.

Queremos ensinar que aparência não é tudo, mas criticamos continuamente nosso próprio corpo diante dos filhos.

Falamos contra comparação, enquanto comentamos:

“Olha a casa deles.”

“Veja o carro que compraram.”

“Fulano está ganhando muito dinheiro.”

“Ciclana envelheceu demais.”

As crianças aprendem também observando aquilo que valorizamos.

Se desejamos que nossos filhos construam uma relação equilibrada com a tecnologia, vale a pena olhar para nossa própria relação com ela.

Não precisamos ser pais perfeitos.

Precisamos ter coerência suficiente para reconhecer inclusive quando nós mesmos estamos exagerando.

Conversar funciona melhor do que apenas vigiar

Pais precisam acompanhar a vida digital dos filhos, especialmente quando eles ainda são novos.

Acompanhamento, porém, não deveria significar apenas fiscalização.

Se toda conversa sobre internet começa com acusação, o filho aprende a esconder.

Queremos criar um ambiente no qual ele consiga contar também as experiências desconfortáveis.

“Alguém falou alguma coisa que deixou você triste?”

“Você já publicou algo e depois se arrependeu?”

“Alguma pessoa fez comentário sobre seu corpo?”

“Você já sentiu que precisava parecer diferente para ser aceito?”

“Tem algum perfil que faz você se sentir mal depois de acompanhar?”

Perguntas assim abrem portas.

O objetivo não é realizar um interrogatório.

Queremos conhecer o mundo no qual nossos filhos estão vivendo.

Nem toda influência digital precisa ser aceita

Parte da educação dos filhos envolve ensinar que eles podem escolher o que consomem.

Não existe obrigação de acompanhar alguém que constantemente desperta comparação, inadequação ou angústia.

Deixar de seguir um perfil pode ser uma decisão saudável.

Também podemos ensinar os filhos a perguntar:

“Como fico depois de consumir esse conteúdo?”

Se a resposta for “sempre me sinto pior comigo mesmo”, existe alguma coisa a observar.

O ambiente digital pode ser organizado.

Seguimos pessoas.

Silenciamos outras.

Escolhemos conteúdos.

Criamos limites.

Desativamos notificações.

Reservamos períodos sem acesso.

Quanto mais cedo nossos filhos aprenderem que podem administrar a própria atenção, melhor.

Uma vida interessante fora da tela protege a identidade

Filhos precisam descobrir que conseguem fazer coisas que não produzem curtidas.

Ler.

Praticar esporte.

Tocar um instrumento.

Ajudar alguém.

Cozinhar.

Passear.

Participar das atividades da igreja.

Conversar com os avós.

Brincar.

Aprender uma habilidade.

Trabalhar em algum projeto.

Ficar algum tempo sem produzir conteúdo para ninguém.

A vida precisa continuar existindo quando a tela está desligada.

Quanto mais experiências reais uma criança possui, mais oportunidades ela encontra para descobrir habilidades, enfrentar frustrações, desenvolver relacionamentos e perceber que o mundo não gira em torno de uma audiência.

Também precisamos permitir momentos de tédio.

Pais não precisam preencher cada minuto dos filhos com estímulos.

Aprender a lidar com silêncio, espera e falta de entretenimento faz parte do amadurecimento.

Pertencimento dentro de casa faz diferença

Uma criança que precisa buscar toda sensação de pertencimento fora da família fica mais vulnerável à aprovação externa.

A casa não precisa ser perfeita.

Precisa ser um lugar no qual ela saiba que continua pertencendo mesmo quando erra.

Filhos precisam saber que podem conversar.

Precisam receber correção sem humilhação.

Precisam perceber interesse real dos pais.

Também precisam de tempo.

Não apenas tempo em que pais e filhos estão dentro do mesmo imóvel, cada um olhando para uma tela diferente.

Uma refeição juntos, uma conversa durante um trajeto, uma atividade simples ou alguns minutos antes de dormir podem criar espaços importantes de conexão.

Pequenos momentos repetidos constroem segurança.

Não compare seus filhos entre si

A comparação que machuca nas redes muitas vezes já foi ensinada dentro da própria família.

“Seu irmão nunca fez isso.”

“Sua irmã estudava muito mais.”

“Olha como seu primo é educado.”

“Por que você não pode ser como ele?”

Comparar pode parecer uma maneira de motivar.

Frequentemente produz vergonha, competição e ressentimento.

Cada filho precisa ser orientado a crescer a partir de quem é e das responsabilidades que possui.

Um pode ter facilidade acadêmica.

Outro pode demonstrar habilidade prática.

Um é comunicativo.

Outro é reservado.

Um amadurece rapidamente em determinada área.

Outro precisa de mais tempo.

Pais responsáveis não ignoram dificuldades.

Apenas evitam transformar outra criança na régua pela qual o filho será avaliado.

Ensine a lidar com rejeição sem transformar rejeição em identidade

Nenhum pai consegue proteger o filho de toda rejeição.

Um amigo pode afastá-lo.

Um grupo pode não aceitá-lo.

Um relacionamento pode terminar.

Ele pode não ser escolhido para determinada atividade.

Alguém pode fazer um comentário cruel.

A internet ainda pode ampliar algumas dessas experiências porque a rejeição ou a crítica podem acontecer diante de outras pessoas.

Nesses momentos, nosso filho precisa ser ouvido antes de receber uma palestra.

“Eu percebi que aquilo doeu.”

“Quer me contar o que aconteceu?”

Depois podemos ajudá-lo a colocar o acontecimento em perspectiva.

Ser rejeitado por alguém não significa ser rejeitável.

Uma opinião ofensiva não define uma pessoa.

Um comentário não conhece toda a história.

Nosso objetivo não é criar filhos indiferentes à dor.

Queremos ajudá-los a sofrer sem perder completamente a visão de quem são.

Existem sinais que merecem atenção maior

Mudanças persistentes no comportamento não devem ser automaticamente atribuídas à adolescência ou ao uso do celular.

Se um filho começa a apresentar sofrimento intenso relacionado à aparência, isolamento acentuado, queda importante na rotina, alterações persistentes do sono ou alimentação, ansiedade intensa ao ficar longe das redes ou falas sobre autolesão e desejo de morrer, os pais precisam levar a situação a sério.

Uma conversa pastoral pode oferecer acolhimento espiritual.

Em determinadas situações, porém, acompanhamento de psicólogo, médico ou outro profissional qualificado pode ser necessário.

Buscar ajuda não representa fracasso dos pais.

Também não significa falta de fé.

Pais responsáveis reconhecem quando determinada situação ultrapassa aquilo que conseguem administrar apenas dentro de casa.

Fé cristã pode oferecer ao filho uma identidade mais profunda que a opinião dos outros

Nossos filhos precisam aprender mais do que regras religiosas.

Eles precisam conhecer o Deus para quem a identidade humana não depende de popularidade.

Jesus conviveu com pessoas ignoradas, rejeitadas e desprezadas socialmente.

Ele não tratava seres humanos de acordo com sua posição na escala de prestígio.

A mensagem do evangelho também confronta nossa necessidade de construir valor por desempenho.

Em Cristo encontramos graça.

Encontramos chamado.

Encontramos transformação.

Encontramos pertencimento.

Uma criança ou adolescente que compreende progressivamente essas verdades ganha uma referência diferente para olhar para si.

Ela ainda poderá desejar aprovação.

Ainda sentirá uma crítica.

Ainda enfrentará comparação.

Fé não nos torna emocionalmente impermeáveis.

Mas agora existe uma voz mais profunda do que a multidão dizendo quem somos.

Antes de corrigir o celular, fortaleça o relacionamento

Pais podem instalar controles, limitar horários e definir regras.

Algumas dessas medidas são necessárias.

Nenhum controle técnico, porém, substitui relacionamento.

Um filho que confia nos pais possui mais chance de procurá-los quando alguma coisa acontece.

Por isso, converse antes da crise.

Conheça as plataformas que ele utiliza.

Pergunte o que gosta de acompanhar.

Demonstre interesse sem zombar daquilo que parece estranho para sua geração.

Explique riscos sem transformar toda internet num lugar assustador.

Defina limites e diga por que eles existem.

E tenha coragem para rever uma regra conforme seu filho amadurece e demonstra responsabilidade.

Educar também significa preparar para a autonomia.

Um dia, os pais não estarão controlando aquela tela.

O filho precisará fazer escolhas sozinho.

Nossos filhos precisam saber que continuam valiosos quando ninguém aplaude

O mundo de curtidas oferece respostas rápidas.

Publicou.

Alguém reagiu.

Recebeu aprovação.

O coração humano, porém, precisa de raízes mais profundas.

Quero que nossos filhos saibam que podem ser amados sem precisar impressionar.

Que consigam reconhecer uma qualidade sem se tornarem arrogantes.

Que aceitem uma limitação sem se desprezarem.

Que consigam olhar para outra pessoa bonita, inteligente ou talentosa sem concluir que o sucesso do outro diminui seu próprio valor.

Também quero que aprendam que identidade não é licença para permanecer do mesmo jeito.

Quem sabe quem é pode crescer.

Pode receber correção.

Pode aprender.

Pode pedir perdão.

Pode mudar.

Pode amadurecer sem viver desesperadamente tentando provar que merece existir.

Esse trabalho começa dentro de casa.

Nas palavras que usamos.

Na atenção que oferecemos.

No exemplo que damos.

Na maneira como corrigimos.

Na fé que ensinamos.

Nos limites que colocamos.

E, principalmente, na mensagem repetida por atitudes ao longo dos anos:

“Você não precisa conquistar nosso amor cada vez que entra nesta casa.”

Talvez nossos filhos recebam milhares de curtidas durante a vida.

Talvez algumas publicações passem quase despercebidas.

Nenhum desses números deveria decidir quem eles são.

A pergunta que fica para nós, pais, é direta: pelas nossas palavras e atitudes, estamos ensinando nossos filhos a construir identidade ou apenas a buscar aprovação?

Se a comunicação familiar já ficou distante, o artigo Pais e filhos distantes: por onde começar uma reconciliação pode ajudar a reconstruir a proximidade antes de transformar o celular no único problema.

Na página de livros, Contratos Invisíveis conversa com esse tema ao tratar de crenças, medo, culpa e padrões internos que afetam nossa identidade.

A orientação da Associação Americana de Psicologia sobre redes sociais na adolescência recomenda atenção especial à comparação ligada à aparência e o desenvolvimento de discernimento digital.

No Amor de Cristo,
Pastor Adilson Batista

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